18/01/10

A NORMALIZAÇÃO GLOBAL

A recente explosão dos jogos nas redes sociais, sobretudo no Facebook (não apenas porque é a mais numerosa rede mas sobretudo porque é a que melhor se adapta a esse tipo de experiência) veio enfatizar as épocas especiais do calendário e, consequentemente, o modo como nos relacionamos com os outros nesses referidos momentos

A maioria destes jogos, e em especial os da Zynga (Mafia Wars, Farmville, Yoville, Café World, etc.) abordaram a época do Natal e do Ano Novo introduzindo uma panóplia de novos conteúdos dos quais listo apenas alguns a título de exemplo: uma árvore de Natal onde se guarda as prendas enviadas pelos amigos (o que pode repetir-se uma vez por dia) e que se abrem no dia 25 de Dezembro; suplementos ("boosts") para combates que são garrafas de campanhe; fogo de artifício que se pode lançar na última noite do ano. (...)

É óbvio que já antes o Facebook tornou possível enviar deliciosos ícones aos amados no dia 14 de Fevereiro ou parabenizar os aniversários dos amigos. Melhor: agora é quase impossível esquecer as datas desses aniversários, basta estar ligado ao computador, tudo pode ser automatizado. Neste caso há dois efeitos imediatos da Rede: não só alargamos um certo tipo de comportamento que antes estaria reservado a amigos mais próximos, como dependemos (é uma opção, não uma condição) desses sistemas técnicos para gerir uma boa parte das nossas vidas sociais.

Mas o fenómeno mais marcante parece-me ser a definitiva instalação do calendário Ocidental e cristão a nível global. Na verdade a parte maior da população mundial não começou um novo ano a 1 de Janeiro (nem sequer vivem no ano 2010) nem celebram o nascimento de Cristo, ou melhor, Cristo não pertence à sua mitologia religiosa. Têm-nos aturado estas particularidades porque o Ocidente ainda é o motor da economia e porque, sendo óbvio que tem de existir um norma-padrão para conseguirmos entender -nos uns aos outros, porque não a dos tipos que inventaram os computadores e os sistemas operativos? (os relógios mais importantes nos dias de hoje).

Verdade é que que vi vários amigos que vivem noutros calendários e professam outras crenças a aderir alegremente a estas pequenas diversões de Natal e Ano Novo. O efeito do Facebook, e outras redes sociais, pode vir a demonstrar-se mais avassalador que os muitos missionários que daqui partiram durante séculos. É a normalização global, total.

Dr. Bakali, O Ponto de Fuga (Blog JL)

26/12/09

A CAPITAL PORTUGUESA ESTÁ A PERDER SALAS DE CINEMA

Ir ao cinema em Lisboa é, em 2009, uma experiência radicalmente diferente do que em décadas anteriores. São muitos os antigos cinemas da capital que entretanto foram desactivados, encontrando-se muitos espaços, inclusive, ao abandono.
Os antigos cinemas de Lisboa vivem actualmente três cenários distintos: uma ínfima parte continua em actividade, uns fecharam e viram o seu espaço reutilizado, e diversos outros encontram-se actualmente ao abandono, com situações urbanísticas indefinidas ou pendentes.
Londres, São Jorge, King e Monumental, com maiores ou menores alterações, são dos poucos espaços resistentes de outros tempos, sobrevivendo num tempo dominado pelos cinemas em grandes superfícies comerciais.
uma variante do consumo dos grandes centros comerciais". "As salas isoladas passaram a ser pouquíssimas porque o cinema passou a ser concebido como uma variante do género de oferta comercial dos grandes espaços", frisou o crítico, distinguido este ano pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) pela sua actividade como divulgador de cinema.
João Lopes partilhou com a agência Lusa uma memória vivida num dos antigos cinemas de Lisboa, que actualmente já não existe, o Alvalade: "Recordo-me de ver lá o 'Suspeita', de Hitchcock, filme do começo da d
Para o crítico e divulgador de cinema João Lopes, o cinema enquanto "fenómeno de consumo mudou radicalmente" nos últimos anos, predominando actualmente um "público acidental", que consome a sétima arte "como
écada de 1940 que vi algures durante o Verão de 1972 no Alvalade. Era um cinema arquitectonicamente muito especial. Tinha durante o Verão uma política de reposições e esta é uma memória que evoca o consumo de cinema com valores completamente diferentes dos de agora", frisa.
iOnLine, 26-12-09

11/11/09

Globalização

Fonte : http://takox.blog.ipcdigital.com/wp-content/uploads/2007/06/esportes0048.jpg

Novas formas de socialização primária ou socialização secundária precoce?

A socialização é um processo interactivo e gradual que se dá durante o desenvolvimento pode ser:
- primária que são os conhecimentos básicos, que ocorrem a partir da infância, modelos de comportamento morais e sociais, linguagem, etc. ;
- secundária que são os conhecimentos especializados, que integram o indivíduo em funções específicas na sociedade como a profissão, por exemplo.

Esta imagem representa as influências das tecnologias e da Internet em todas as fases da vida humana, até mesmo na infância (altura em que adquirimos os nossos conhecimentos básicos – socialização primária).


Fonte: http://4.bp.blogspot.com/_eas5bwEZ2fA/SvrsXCZf6HI/AAAAAAAAAAw/ouka4vSRnNs/s320/socializa%C3%A7%C3%A3o.png

31/10/09

UMA ESTÓRIA

Uma professora do ensino básico pediu aos alunos que fizessem uma redacção sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles.

Ao fim da tarde, quando corrigia as redacções, leu uma que a deixou muito emocionada. O marido, que, nesse momento, acabava de entrar, viu-a a chorar e perguntou:

- O que é que aconteceu?

Ela respondeu:

- Lê isto.

Era a redacção de um aluno.


Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me num televisor. Quero ocupar o lugar dele. Viver como vive a TV da minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta... Ser levado a sério quando falo... Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar.. E ainda, que os meus irmãos lutem e se batam para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos. Senhor, não te peço muito...Só quero viver o que vive qualquer televisor.


Naquele momento, o marido disse:

- Meu Deus, coitado desse miúdo! Que pais!

E ela olhou-o e respondeu:

- Essa redacção é do nosso filho!

Em mail de Ana Moura