08/03/09

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Neste dia [8 de Março], do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo.

07/03/09

ADOLESCENTES VICIADOS EM SMS

“Não conseguia”. É assim que Leonor Silva, 18 anos e utilizadora de telemóvel desde os 14, descreve como seria o cenário de 24 horas sem o aparelho.
Leonor não está isolada no que diz respeito ao “vício” dos SMS. Em Maio de 2007, Pedro Quelhas Brito, um professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, juntou 207 voluntários de quatro escolas desta cidade, dividiu-os em dois grupos, pré-adolescentes de 11 e 12 anos e adolescentes de 15 e 16 anos e concluiu que os primeiros enviavam uma média de 84,2 SMS por semana e os segundos, 235,6. Ao final do mês, os mais velhos remetiam assim cerca de mil mensagens.
“Entre as várias justificações, disseram-me que o fazem porque é mais barato, rápido, impessoal e podem escrever com uma terminologia que entendem. Um ou outro responderam que era útil para ‘bullying’”, recorda ao METRO. “É discreto e podem controlar o momento em que enviam e respondem às mensagens”, diz. Esta dependência dos SMS é potenciada pelos tarifários das operadoras, que oferecem mensagens escritas de borla. Uma rapariga norte-americana de 13 anos no último mês, enviou 14 258 mensagens de texto. Quando o pai da jovem abriu a factura mensal, de 440 páginas e no valor de dois mil dólares, pensou que se tratasse de um engano da operadora. Não era. Pegou numa calculadora e descobriu que, descontando as horas de sono, a sua filha, Reina, tinha escrito, em média, um SMS a cada dois minutos.
Na opinião a psicóloga Teresa Paula Marques, “tudo o que é excessivo cai no campo do patológico e a dependência dos SMS não foge a essa regra”. “Se o jovem passa a privilegiar o seu uso em detrimento dos contactos pessoais, acaba por não aprender a dar-se com os outros”, defende. Também para a psicóloga Susana Gonçalves, este comportamento, que se pode tornar “compulsivo”, é preocupante. Nas suas consultas, depara-se com pais apreensivos por verem os filhos quase sempre agarrados aos telemóveis. E também com casos de jovens em que o vício interfere nos estudos. “Há crianças que não dormem sem o telemóvel ao lado, e se se esquecem dele, é um drama”.
E porque o excesso de comunicação via SMS — ou Messenger, frisa a psicóloga — pode promover o isolamento dos adolescentes e minar o desempenho escolar, Susana Gonçalves aconselha os pais a “passarem tempo de qualidade com os filhos e a aprenderem a comunicar”.
ANDRÉ BARBOSA, Metro, 14-01-09 (adaptado)

21/02/09

IDEOLOGIAS

Raikes abanou a cabeça.
- Desculpe - disse ele - mas não acredito em si. É o de­tective privado do Blunt, sim senhor. - A sua expressão carre­gou-se quando ele se debruçou sobre a mesa. - Mas não conse­gue salvá-lo, sabe? Ele tem de marchar. .. ele é tudo o que ele representa! Tem de surgir uma nova ordem ... o velho e corrup­to sistema financeiro tem de desaparecer... esta maldita rede de banqueiros por todo o mundo, como uma teia de aranha. Têm de ser varridos do mapa. Pessoalmente não tenho nada contra o Blunt ... mas é o género de homem que odeio. É medíocre ... é presunçoso. É do tipo que só se consegue mover usando dinami­te. É o tipo de homem que diz: «Não se pode abalar os alicerces da civilização.» Mas não pode? Ele que espere e veja. É um obs­táculo ao Progresso e tem de ser afastado. No mundo de hoje não há lugar para homens como o Blunt ... homens que vivem pre­sos ao passado ... homens que querem viver como os pais deles, ou até como os avós! Não faltam homens assim aqui em Inglater­ra ... a velha guarda cheia de mofo ... símbolos inúteis e gastos de uma era em decadência. E têm de marchar, se têm! É preciso que nasça um mundo novo. Está a entender. .. um mundo novo, compreende?
Poirot suspirou e levantou-se.
- Vejo que é um idealista, Mr. Raikes - observou.
- E se for?
AGATHA CHRISTIE, O Enigma do Sapato

12/02/09

CRIACIONISMO OU EVOLUCIONISMO?

Há duzentos anos, neste dia (12 de Fevereiro) nasceu em Shrewsbury, Inglaterra, Charles Darwin. Quando, em criança, só se preocupava com a caça, os cães e os ratos, ninguém poderia prever que ele iria elaborar uma teoria revolucionária explicativa da evolução das espécies e, nomeadamente, da Origem do Homem.
Segundo essa teoria, as espécies que habitaram e habitam o nosso planeta não foram criadas independentemente, mas descendem umas das outras, ou seja, estão ligadas por laços evolutivos.
No entanto, a apesar do evolucionismo estar fundamentado em factos concretos, a sua aceitação não evoluiu muito, mesmo no país natal de Darwin – ainda hoje, muitos britânicos não acreditam nela. Lê-se no jornal Guardian que vinte e cinco por cento dos ingleses pensam que a teoria é verdadeira, outros vinte e cinco não têm a certeza. Os restantes pensam que a teoria é falsa ou sentem-se confusos.
Doze por cento dos inquiridos defendem o criacionismo – Deus criou o mundo como diz a Bíblia. Mas, diz James Williams, da Universidade de Salsbury, “o que os criacionistas fizeram foi embrulhar as suas crenças religiosas num manto de pseudociência”. Para ele, “ a evolução é uma teoria e um facto". Aceitamo-la com base em provas.
O resultado do inquérito não é nenhuma surpresa para aquele universitário porque, segundo ele, “as pessoas não percebem como funciona a ciência” e o evolucionismo está a ser “muito mal ensinado nas escolas”.


Fonte principal: Jornal Público

07/02/09

UM QI ACIMA DE 120 NÃO TEM VANTAGEM

O jornalista Malcolm Gladwell, que chegou a ser campeão de 1500 metros de atletismo, é considerado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, cobra 40 mil euros por conferência e lançou o seu livro: Outliers – a História do Sucesso. Mas se quer continuar a acreditar no mito do self-made man, que nasce pobre, trabalha horas a fio e, sem qualquer ajuda transforma-se num homem de sucesso, então é melhor não o ler. “Este tipo de explicações para o sucesso não funciona. As pessoas não se erguem do nada. O que verdadeiramente distingue as suas histórias não é um talento extraordinário, mas as extraordinárias oportunidades que tiveram”, defende.
Einstein tinha um quociente de inteligência (QI) de 150. Chris Langan, que ficou conhecido como o americano com um QI mais elevado, chegou aos 195: começou a falar aos seis meses e a ler aos 3 anos, aos 5 questionava a existência de Deus e, na escola, tirava notas elevadas em testes de línguas estrangeiras que não conhecia - só precisava de estudar três minutos antes. Mas não foi lon­ge: perdeu uma bolsa de estudo, desistiu da faculdade e foi porteiro grande parte da vida. Para Gladwell, isto significa que um Q1 supe­rior a 120 não tem vantagens na vida real.
Fundamental é o conceito de "inteligência prática": "Saber o que dizer a quem, saber quando dizê-lo e saber como dizê-lo para ob­ter o máximo efeito". Esta capacidade depen­de, sobretudo, da família em que nascemos. Para Gladwell, as crianças de classe média e alta estão em vantagem: são expostas a mais experiências, aprendem a trabalhar em equipa e a interagir de maneira mais confortável com os adultos - Chris Langan cresceu numa fa­mília pobre, com um padrasto alcoólico.
ANA TABORDA, Sábado, 27-11-08 (adaptado)